Por: Jânio Santos de Oliveira Presbítero e professor de teologia da Igreja Assembléia de Deus Taquara - Duque de Caxias - RJ http://oprofjanioresponde.blogspot.com.br/ | |||
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Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!
Quem era, de fato, Maria Madalena? A ligação errônea das passagens evangélicas que falam dela levou a identificá-la com a pecadora (prostituta?) que ungiu os pés de Jesus (Lc 7,36-50).
E esse erro, infelizmente, virou verdade de fé. O inconsciente coletivo guardou na memória a figura de Maria Madalena como mito de pecadora redimida. Fato considerado normal nas sociedades patriarcais antigas.
Jesus escolheu doze homens para serem seus discípulos. Contudo, havia também mulheres que o seguiam. Algumas tinham até a nobre função de prestar apoio financeiro ao ministério do Mestre (Lc.8.1-3).
Uma delas era Maria Madalena. Percebemos que o Senhor honrou as mulheres numa época em que a sociedade não lhes dava grandes oportunidades. O nome Madalena indica sua cidade de origem: Magdala, localizada na província da Galiléia. Depois da mãe de Jesus, Madalena foi a mulher que mais se destacou durante o ministério terreno do Messias.
Vida pregressa
Por tradição, somos informados que Maria Madalena era uma prostituta. Entretanto, a bíblia não diz tal coisa. O que sabemos com certeza é que, antes de conhecer o Senhor, aquela mulher era possuída por sete demônios (Lc.8.2). Portanto, tinha uma vida de pecado, sofrimento, tristeza e tormento constante.
Esta é a situação de muitas pessoas que não servem a Deus. Estão nas mãos do Diabo. Ainda que não estejam possessas, são oprimidas e influenciadas pelos poderes das trevas.
Maria conheceu o Senhor Jesus e sua vida foi completamente transformada. Os demônios foram expulsos e ela passou a seguir o Mestre. Todos precisam conhecer a Cristo afim de serem libertos e transformados.
Além disso, é preciso que se faça um compromisso com ele. Muitos são abençoados por Deu
s, mas não querem se comprometer. Madalena se tornou uma seguidora de Jesus. Ela sabia que, se deixasse o Senhor, seria novamente dominada pelos demônios. Portanto, além do compromisso, era preciso haver fidelidade.
A mulher era identificada com o sexo e ocasião de pecado por excelência. Daí não ser nenhuma novidade a pecadora de Lucas ser prostituta e a prostituta ser Maria Madalena. Lc 8,2 cita nominalmente Maria Madalena e diz que dela "haviam saído sete demônios".
Ter demônios, segundo o pensamento judaico, é o mesmo que ser acometido de uma doença grave. No cristianismo, o demônio foi associado ao pecado. No caso da mulher, o pecado era sempre o sexual.
Nesse sentido, a confusão parece lógica. Mas não o é, se levarmos em consideração o valor da liderança exercida por Maria Madalena entre os primeiros cristãos, bem como a predileção de Jesus por ela.
Entre os discípulos judeus, considerar Maria Madalena como prostituta significava também subestimar o valor da mulher enquanto liderança. Os padres da Igreja seguiram essa linha de pensamento.
A Bíblia diz unicamente que dela tinham saído sete demônios (Lc 8, 2). A primeira pessoa que relacionou Maria com a prostituição foi o Papa Gregório Magno, numa homilia que pronunciou no ano 591.
A interpretação de Maria Madalena como a prostituta arrependida de Lucas 7 difundiu-se amplamente no Ocidente cristão. Mas não prosperou no Oriente, onde se considerava que a mulher anônima e Maria Madalena eram duas pessoas diferentes. Este é o motivo pelo qual, em 1969, quando a Igreja Católica reviu as leituras da Bíblia empregadas na Missa, decidiu não continuar a usar o relato da pecadora arrependida em Lucas 7 como leitura na festa de Santa Maria Madalena.
Deixou claramente em aberto a questão da identidade da mulher sobre a qual Lucas escreve.
Em 1969 o Vaticano declarou que Maria Madalena não era prostituta, assim, como em nenhum lugar da bíblia afirma que ela era prostituta, sendo então estigmatizada como tal pela Igreja Católica, tal informação circulou errada durante 1.378 anos.
Em fragmento apócrifo encontramos os nomes das nove mulheres que vão ao sepulcro, na manhã de domingo. Salomé é chamada de a sedutora. Uma mulher é chamada de a pecadora, da qual Jesus tinha dito: "Teus pecados te são perdoados".
De Maria Madalena não se diz nada, o que nos mostra que Maria Madalena não é vista como prostituta pelas primeiras comunidades.
Maria Madalena, tida como prostituta está ligada a Maria, mãe de Jesus e virgem pura por excelência. "No plano dos arquétipos, a figura mítica da meretriz penitente é estritamente conexa com aquela da Virgem mãe, e constitui em certo sentido a outra vertente do mesmo mecanismo psicológico.
Virgindade e maternidade, antes de serem duas opções possíveis entre as inumeráveis escolhas essenciais, são símbolos referidos às mulheres como modelos de comportamento concreto, refletem uma visão da realidade exclusivamente machista.
Acabam sendo funcionais ao perpetuarem imóveis este modelo de realidade. Nesta perspectiva, a mulher não-virgem-não-mãe constitui o arquétipo feminino negativo por excelência: a Prostituta ou, em todo caso, a Tentadora.
Além disso, tanto a Virgem Maria Toda Pura, quanto a Pecadora Penitente Toda Impura, apesar de opostas, são definidas exclusivamente com base no sexo e na feminilidade percebida como uma realidade ‘oposta‘ .
Enquanto Maria de Nazaré é a Mãe assexuada, Maria de Mágdala se torna a mulher, a Outra. Num contexto religioso totalmente machista, a Outra deve ficar num estado de inferioridade, portanto ‘dominável‘, por definição e por princípio" .
Tanto Maria Madalena como Maria, a mãe de Jesus, são personagens que marcaram o cristianismo. A diferença está em descobrir que nos apócrifos Maria Madalena não era a prostituta e Maria, a mãe, não deixou de ser mulher para ser a mãe do Salvador.
Portanto Maria Madalena não fora o que afirmam a seu respeito (uma prostituta ) e sim uma pessoa atormentada pelos espíritos imundos; tão somente ela foi liberta passou a realizar a obra de Deus seguindo os passos de Jesus.
Veja:
Que honra para as mulheres! Afinal, Maria foi a pessoa que demonstrou maior apego ao Mestre e maior sofrimento por sua morte. Sua dedicação foi recompensada. Ela se tornou a primeira mensageira da ressurreição, indo aos discípulos anunciar-lhes o fato (Jo 20.14-18). A ressurreição inaugurou uma nova etapa na vida de todos os seguidores de Jesus, sendo também o fato histórico que coloca o cristianismo acima de todas as religiões. Daquele dia em diante, os discípulos foram novamente reunidos. O Espírito Santo foi derramado. O propósito do reino foi retomado. A igreja foi estabelecida e milhares de conversões começaram a ocorrer. Maria Madalena, que tinha sido assolada por sete demônios, agora se encontrava numa posição de honra, como a primeira testemunha da ressurreição de Jesus. Da mesma forma, hoje, muitas mulheres estão servindo a Deus, com amor, com esforço e lágrimas. Que Deus abençoe a cada uma delas, dando-lhes também muitos motivos para sorrir, através de grandes experiências e bênçãos. Que o Senhor lhes conceda a honra de levarem a muitos o testemunho de que Jesus está vivo e sempre vale a pena amá-lo e servi-lo.
Que Deus nos abençoe e nos guarde em nome de Jesus, amém!
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segunda-feira, 21 de maio de 2012
Maria Madalena teria sido a mulher prostituta?
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